terça-feira, 6 de novembro de 2007

Nem sei...

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

1 comentário:

Anónimo disse...

Formosa Marilia,
Modêlo das Graças,
Que mil pensamentos
Accendes, e enlaças:

Áquelle, que animam
Teus doces agrados,
Terror dos amantes,
Mimoso dos fados,

Se folgas de ouvil-o
Por ti suspirar,
Ao céo dos amores
Não deixes voar.

Dos homens ignoras
A indole errante?
Quem é muito amado
Não é muito amante.

In Poesias
Manuel Maria de Barbosa du Bocage